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Supercomputador Jaci: A Nova Era da Previsão Climática e Tecnologia no Brasil

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) inaugurou o supercomputador Jaci, um marco para a ciência e tecnologia brasileira. Este artigo explora as capacidades técnicas dessa nova infraestrutura, seu impacto na precisão das previsões meteorológicas e o investimento estratégico por trás do projeto.

CFATech
30 de dezembro de 2025
5 min de leitura
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Supercomputador Jaci: A Nova Era da Previsão Climática e Tecnologia no Brasil

Introdução

No cenário atual, onde eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes, a capacidade de processamento de dados e a rapidez na previsão do tempo são ativos estratégicos para qualquer nação. Em resposta a essa demanda e buscando retomar o protagonismo na modelagem climática, o Brasil deu um passo significativo em dezembro de 2025 com a inauguração do supercomputador Jaci.

Instalado no INPE, em Cachoeira Paulista (SP), o equipamento chega para substituir o antigo sistema Tupã, trazendo um salto exponencial em performance e capacidade de armazenamento. Para profissionais de tecnologia e gestores, entender a infraestrutura do Jaci é compreender como o investimento em High Performance Computing (HPC) impacta diretamente setores vitais como a agricultura, a defesa civil e a segurança energética.

 

Jaci: Tecnologia de Ponta e Significado

A escolha do nome não foi aleatória. Definido por votação popular com cerca de 38% da preferência do público, "Jaci" refere-se à deusa da Lua na mitologia tupi-guarani. Simbolizando sabedoria, renovação e proteção da natureza, Jaci é a companheira de Tupã — nome do supercomputador anterior — mantendo uma linha narrativa culturalmente rica e tecnologicamente evolutiva.

Do ponto de vista técnico, a transição do Tupã para o supercomputador Jaci representa uma atualização crítica de hardware. O novo sistema possui uma capacidade de armazenamento 24 vezes maior que a de seu antecessor. Essa robustez é essencial para lidar com o Big Data gerado pelo monitoramento ambiental contínuo.

Além do armazenamento, a velocidade de processamento é o grande diferencial. Processos de modelagem que antes levavam horas para serem concluídos pelo Tupã, agora são realizados em questão de minutos pelo Jaci. Essa agilidade não é apenas uma conveniência técnica, mas um requisito para a operação plena de modelos climáticos avançados.

 

O Modelo Monan e a Precisão Meteorológica

A principal missão do supercomputador Jaci é viabilizar a operação total do "Monan" (Modelo para os Oceanos, Superfícies Continentais e Atmosfera). O Monan é um modelo brasileiro desenvolvido para fornecer previsões meteorológicas e climáticas com um nível de precisão inédito para a América do Sul.

Com a infraestrutura do Jaci, o INPE consegue aprimorar significativamente a detecção e o alerta de eventos extremos. Isso inclui:

  • Chuvas intensas e tempestades severas: Maior antecedência nos alertas para a defesa civil.
  • Ondas de calor e secas: Monitoramento detalhado que auxilia o planejamento agrícola e energético.
  • Fenômenos complexos: Melhor capacidade de prever a formação de tornados e ciclones.

A tecnologia permite que o Brasil reduza sua dependência de modelos estrangeiros, garantindo maior soberania na produção de dados críticos sobre o clima e o meio ambiente.

 

Investimentos e o Projeto RISC

A aquisição e instalação do Jaci fazem parte de uma estratégia maior de modernização tecnológica, financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Finep. O investimento inicial para a implementação do supercomputador foi de R$ 30 milhões.

No entanto, o planejamento é de longo prazo. O Jaci integra o Projeto RISC (Rede Brasileira de Infraestrutura de Supercomputação), que prevê um aporte total de até R$ 200 milhões até 2028. Este montante será destinado a:

  1. Aquisição de novos supercomputadores para ampliar a rede.
  2. Modernização da infraestrutura física e de dados do INPE.
  3. Instalação de uma usina fotovoltaica para garantir sustentabilidade energética ao data center.

Além disso, o projeto está alinhado ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), posicionando o Brasil como um competidor relevante no uso de IA para soluções climáticas e científicas.

 

Conclusão

A inauguração do supercomputador Jaci não é apenas uma atualização de hardware; é uma reafirmação da capacidade científica brasileira. Ao reduzir o tempo de processamento de dados de horas para minutos e ampliar massivamente a capacidade de armazenamento, o INPE entrega à sociedade uma ferramenta poderosa para mitigação de desastres e planejamento econômico.

Para empresas de tecnologia e inovação, o caso do Jaci demonstra como investimentos assertivos em infraestrutura computacional geram valor tangível e estratégico. Acompanhar a evolução dessas tecnologias é essencial para entender o futuro da gestão de dados e da inteligência artificial no Brasil.

 

Fontes consultadas

 

Tags: Supercomputador Jaci, INPE, Tecnologia, Previsão Climática, HPC, Inovação, Governo Digital, Big Data

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