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Segurança

DOJ Derruba os Maiores Botnets IoT do Mundo: 3 Milhões de Dispositivos e DDoS de 31 Tbps

Operação internacional desmantelou 4 botnets que infectaram 3 milhões de câmeras, roteadores e TVs. Ataques DDoS atingiram 31,4 Tbps — recorde absoluto. Seus dispositivos podem ser parte do problema.

CFATech Blog
21 de março de 2026
5 min de leitura
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DOJ Derruba os Maiores Botnets IoT do Mundo: 3 Milhões de Dispositivos e DDoS de 31 Tbps

Câmeras de segurança, roteadores Wi-Fi, DVRs e smart TVs. Dispositivos que deveriam proteger e entreter estavam, na verdade, sendo usados como armas em ataques cibernéticos de escala sem precedentes. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou em 20 de março a derrubada de quatro botnets massivos que controlavam mais de 3 milhões de dispositivos IoT ao redor do mundo — responsáveis pelo maior ataque DDoS já registrado: 31,4 Terabits por segundo.

Para ter dimensão: 31,4 Tbps é tráfego suficiente para derrubar a infraestrutura de internet de países inteiros.

Os Quatro Botnets: Aisuru, Kimwolf, JackSkid e Mossad

A operação, coordenada entre EUA, Canadá e Alemanha, desmantelou a infraestrutura de comando e controle de quatro botnets interligados:

Aisuru — ativo desde agosto de 2024, emitiu mais de 200 mil comandos de ataque DDoS. Focado em dispositivos IoT tradicionais (câmeras, DVRs, roteadores).

Kimwolf — a variante mais sofisticada, infectou mais de 2 milhões de dispositivos Android (smart TVs, set-top boxes, streaming boxes). Seu diferencial: em vez de escanear a internet aberta, se infiltrava em redes domésticas via proxies residenciais e o Android Debug Bridge (ADB), acessando dispositivos que estavam "protegidos" por firewalls. Ataques médios de 4 Tbps e 3 bilhões de pacotes por segundo.

JackSkid — emitiu mais de 90 mil comandos de ataque, atingindo em média 150 mil vítimas por dia, com pico de 250 mil em 8 de março de 2026.

Mossad — o menor dos quatro, com cerca de 1.000 comandos emitidos, mas integrado à mesma infraestrutura.

Os Números do Recorde

O ataque DDoS mais poderoso registrado, atribuído ao Aisuru/Kimwolf, aconteceu em novembro de 2025 e atingiu:

  • 31,4 Terabits por segundo de tráfego — recorde absoluto
  • 14 bilhões de pacotes por segundo
  • 300 milhões de requisições por segundo
  • Duração: 35 segundos (suficiente para causar dano massivo)

Entre os alvos estavam sistemas do Departamento de Defesa dos EUA e infraestrutura crítica de múltiplos países. O modelo de negócio era DDoS-as-a-Service: os operadores vendiam acesso às botnets para outros criminosos, que os usavam para ataques de extorsão.

Quem Estava Por Trás

Dois suspeitos principais foram identificados:

  • Jacob Butler ("Dort"), 23 anos, de Ottawa, Canadá — ligado ao Kimwolf
  • Um adolescente de 15 anos da Alemanha — identificado como segundo operador principal

Nenhum foi preso até o momento da publicação. A operação focou em destruir a infraestrutura, não em prender os operadores — uma decisão tática comum quando os servidores representam ameaça imediata.

Como a Operação Funcionou

A derrubada foi autorizada judicialmente e envolveu:

  • Null-routing de quase 1.000 servidores C2 (comando e controle) pela Lumen Black Lotus Labs — basicamente, redirecionando o tráfego de controle para lugar nenhum
  • Apreensão de domínios usados para coordenar os ataques
  • Cooperação de 17 empresas de tecnologia, incluindo Akamai, AWS, Cloudflare, DigitalOcean, Google, Nokia, Okta, Oracle e PayPal

O detalhe crucial: os servidores de controle foram desativados, mas os 3 milhões de dispositivos continuam infectados. Sem os comandos do servidor, eles ficam "adormecidos" — mas podem ser reativados se outro operador assumir o controle ou se novos malwares forem instalados.

Por Que Dispositivos IoT São o Alvo Perfeito

A equação é simples e devastadora:

  • Credenciais padrão — a maioria dos roteadores, câmeras e DVRs vêm com senhas como "admin/admin" ou "admin/1234" e nunca são alteradas
  • Sem atualizações — fabricantes de dispositivos baratos raramente publicam patches de segurança, e quando publicam, usuários não instalam
  • Sempre ligados — diferente de computadores, dispositivos IoT ficam conectados 24/7, prontos para receber comandos
  • Volume massivo — bilhões de dispositivos IoT no mundo, crescendo exponencialmente
  • Invisíveis — ninguém monitora o tráfego de uma câmera de segurança ou DVR

O resultado: um exército de dispositivos aparentemente inofensivos que pode ser mobilizado para derrubar qualquer alvo na internet.

Sua Empresa Pode Estar Contribuindo Para o Problema

A pergunta desconfortável: quantos dispositivos IoT da sua rede estão com firmware desatualizado e senha padrão?

Para empresas que operam câmeras IP, roteadores, access points e outros dispositivos de rede, a ameaça é dupla:

  • Seus dispositivos podem ser recrutados para botnets sem que você saiba — e sua empresa pode ser responsabilizada pelo tráfego malicioso que sai da sua rede
  • Sua infraestrutura pode ser alvo de ataques DDoS — e com 31 Tbps, poucos serviços sobrevivem sem proteção dedicada

O Que Fazer Agora

Ações imediatas:

  • Alterar todas as senhas padrão de roteadores, câmeras, DVRs, access points e qualquer dispositivo IoT
  • Atualizar firmware de todos os dispositivos conectados — se o fabricante não oferece mais atualizações, considere substituir o equipamento
  • Desativar serviços desnecessários — UPnP, Telnet, SSH externo e Android Debug Bridge devem estar desabilitados se não forem usados
  • Segmentar a rede — dispositivos IoT devem estar em uma VLAN separada, sem acesso à rede corporativa principal
  • Monitorar tráfego de saída — picos anormais de upload em dispositivos IoT são indicativo de infecção

Proteção contra DDoS:

  • Contratar proteção DDoS dedicada (Cloudflare, Akamai, AWS Shield) para serviços críticos
  • Configurar rate limiting e geo-blocking quando aplicável
  • Ter plano de resposta a incidentes que inclua ataques volumétricos

Conclusão

A derrubada dos botnets Aisuru, Kimwolf, JackSkid e Mossad é uma vitória temporária. Os 3 milhões de dispositivos continuam infectados, os operadores não foram presos, e novos botnets vão surgir enquanto houver bilhões de dispositivos IoT com senhas padrão e sem atualizações. O ataque de 31,4 Tbps é um recorde que será quebrado. Para empresas, a lição é direta: cada câmera, roteador e smart TV na sua rede é um potencial soldado em um exército que você nem sabe que existe. A hora de agir é antes que alguém recrute seus dispositivos.

A CFATECH oferece serviços de segurança cibernética e infraestrutura de TI, incluindo segmentação de rede, hardening de dispositivos IoT e proteção contra ataques DDoS para manter sua empresa segura.

Fontes

CFATech Blog

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